E se um enólogo for desafiado a fazer um vinho numa região e numa adega que não a sua? E se dois enólogos, por um instante, trocassem de “casa” e cada um fizesse um vinho na adega (e região) do outro, qual seria o resultado? Não é muito comum nem provável, talvez por isso tenham sido apelidados de “Improváveis”.
Comecemos pelas senhoras, neste caso, pela enóloga Marta Maia, residente da Casa Santa Vitória, que se deslocou até ao Douro, para fazer numa adega que não a sua, neste caso, em Val Moreira, no Douro. No sentido inverso, o enólogo de Val Moreira, Ricardo Gomes, foi até ao Alentejo fazer um vinho na “casa” da Marta. O resultado? Dois vinhos “Improváveis”.
O Ricardo optou por um tinto com baixo grau alcoólico e de pouca extracção, ou seja, um clarete. De cor mais aberta, pouco tanino, boa acidez, quase uma antítese daquilo que esperamos de um tinto da zona de Albernoa, sensívelmente entre Beja e Aljustrel, no sul do Alentejo, uma zona quente.
A Marta optou também por um tinto, mais convencional, mas muito equilibrado e elegante, uma interpretação mais feminina do Douro, equilibrado, com elegância e frescura, até com um toque de mineralidade, tanino firme mas polido, boa frescura e persistência, alguma complexidade e bom grau de elegância para um tinto tão jovem.
Porque não estimular mais estas experiências? Fazendo um paralelo com o mundo da Gastronomia, tantos jantares a “quatro mãos”, jantares “pop-up”, chefs convidados a cozinhar em outros restaurantes, porque não fazer isso também no mundo do vinho? Improvável? Talvez não tanto, pelo menos entre estes dois enólogos, pois acredito que irão haver mais edições e mais vinhos improváveis dentro deste grupo. Boas provas!
Fica a nota adicional que foram feitas apenas 3.600 garrafas, vendidas num conjunto com os dois vinhos, disponíveis nas unidades hoteleiras do Vila Galé por 30€.










