Esta publicação não é sobre o Blandy’s 1980 Bual, um incrível fortificado em 2026 e apresentado recentemente, um vinho com um equilíbrio perfeito entre a doçura e uma acidez elevada, um Madeira de grande nível do qual darei nota de prova numa outra oportunidade num momento em que fale dos recentes lançamentos da casa.
O que gostaria de aqui reforçar é o facto de nós, portugueses, termos alguns dos melhores fortificados do mundo, de termos, em conjunto com Espanha, uma longa tradição de fortificação, com diversas denominações e estilos únicos.
O vinho do Porto é o fortificado cuja denominação é a mais antiga do mundo, é o fortificado com maior produção e diria com maior prestígio, seguido do Jerez / Sherry, que também goza de grande reputação internacional. Depois começam a vir as pequenas pérolas, os Moscateis, tanto portugueses (Setúbal e Douro) como espanhóis (Jerez e Málaga), como Carcavelos, Montilla-Moriles e, neste caso, Madeira.
A ilha da Madeira tem menos de 400ha de vinha em toda a ilha, são produções limitadas, principalmente nas gamas altas com vinhos que passam décadas em estágio, mas vinhos de grande qualidade e com grande longevidade, vinhos practicamente indestrutíveis, que desenvolvem uma complexidade extraordinária, com acidez pronunciada, com salidade, e em diversos estilos, do seco ao doce, vinhos muito ambicionados entre enófilos.
Gostaria que esta tradição não se perdesse, gostaria que fossem mais valorizados e mais bem tratados, gostaria que o seu consumo aumentasse e que o novo público pudesse dar mais oportunidade a estas pérolas. Não é para beber todos os dias, não é para se beber à garrafa, são vinhos para partilhar, para momentos especiais, ou como gosto de dizer, ideais para tornar um momento especial.
Um brinde ao vinho da Madeira, um brinde aos nossos Generosos, saúde e boas provas!










