O Vinho de Talha não é apenas vinho, é cultura, é tradição, é território, é identidade, é algo mantido em alguns (poucos) lugares do mundo, e em Portugal, esta tradição mantem-se viva e no Alentejo.
Já por aqui tenho mencionado vinhos de Talha, sobretudo do eixo Vidigueira - Vila de Frades - Vila Alva, onde há vários produtores a engarrafar vinhos produzidos através deste método milenar, e os XXVI Talhas são exemplo disso.
Um projecto de Vila Alva, um conjunto de amigos que se juntaram para manter viva esta tradição e a Adega do Mestre Daniel que aloja as vinte e seis talhas que acabaram por dar nome ao projecto.
Recentemente escrevi aqui sobre os seus vinhos Mestre Daniel, e foi o produtor convidado para um das sessões da Sala de Prova, neste caso, a sessão dedicada ao vinho de Talha.
Mas hoje vim partilhar umas palavras sobre o XXVI Talhas 2022 tinto, o topo de gama da casa, um vinho DOC Alentejo - Vinho de Talha, lote das tradicionais castas Trincadeira, Aragonez e Tinta Grossa, com 18 meses de estágio em talha, dos quais 6 meses em massas, seguido de mais um ano em talha (depois de passado a limpo) sob uma camada de azeite.
De cor aberta e aroma fino e fresco, com notas herbais, pinhal, fruta delicada e expressão terrosa evidente, tudo limpo, puro, atraente, é um tinto que é pura expressão de talha, do barro e da sua pez, mas num registo de elegância e finesse, com um baixo grau de álcool (12%), uma belíssima acidez, tanino muito fino, pouca extracção mas com uma grande profundidade, um belíssimo Vinho de Talha, um dos melhores que já tive oportunidade de beber, o vinho de Talha no seu esplendor.
Nota: 19







