Serras, um novo terroir no Tejo
a distinção de uma zona de eleição
A região de vinhos do Tejo apresentou um novo terroir: Serras!
Terroir é a combinação do clima, solo e casta, é uma espécie de identidade de território que condiciona os vinhos lá produzidos, e como é natural, dentro de uma mesma região há sempre diferentes nuances, solos de composições diferentes, microclimas específicos, altitudes e exposições variadas, entre outras variáveis que levam a perfis ligeiramente diferentes, e o Tejo não é excepção.
O que é novo não é o terroir em si, o que é novo é a sua identificação e a sua distinção - Serras. A região era caracterizada por três terroirs distintos:
Bairro (5.076ha, 93m de altitude média, solos sobretudo de de argilo-calcário, margem direita do rio Tejo);
Campo (3.113ha, 9m de altitude média, solos de aluvião junto ao rio Tejo);
Charneca (3.915ha, 53m de altitude média, solos arenosos, margem esquerda do rio Tejo).
Passamos agora a ter um quarto terroir, que se caracteriza por uma maior altitude comparado com os demais (232 metros de cota média), que leva a uma maior amplitude térmica, complementado com a presença de uma grande massa de água (barragem de Castelo de Bode) que traz um clima mais fresco e húmido. Os solos são predominantemente pedregosos, com presença de xisto e de granito, solos pobres e bem drenados que levam a produções mais baixas que a média da região. Acresce também a predominância de vinhas velhas, sendo 1978 o ano médio de plantação.
É um novo “velho” terroir, tem uma área total de apenas 375ha de vinha, com muitas vinhas velhas e com castas misturadas entre brancas e tintas, uma zona que tem, tendencialmente, mais acidez e mais elegância quando comparados com as restantes zonas da região.
A sessão de apresentação contou com uma prova de vinhos deste novo terroir, dos quais partilho nota de prova:
Vila Jardim 2022 Reserva: Verdelho 8 meses de estágio em barrica. Cor palha. Aroma com frescura aromática, notas cítricas, pêssego verde, chá e cera de abelha, leve percepção de barrica. Bom volume e cremosidade, tem frescura e sentido de mineralidade, equilibrado e boa persistência, nota especiada da madeira no final de boca. Nota: 17
Encosta do Sobral 2023 Grande Reserva Vinhas Velhas Fernão Pires: Cor aberta, vinho expressivo, volumoso e com cremosidade, amplo, barrica presente, expressão floral e de lima, com barrica, boa acidez, equilibrado, um perfil de barrica, nota de fermento, textura fina, mineral, bem persistente. Nota: 18,5
Pedro Sereno 2021 branco Vinhas Velhas: Vinha centenária na serra de Tomar. Parte inox parte barrica com pouca tosta, Cor palha. Aroma delicado, nota floral, sugestão de favo de mel, fruta branca de caroço. Seco, leve tostado da madeira, bem integrada no conjunto, fruta delicada, fresca, sensação mineral, muita persistência, envolvente, cremoso, equilibrado. Nota: 18
Herdade dos Templários 2025 rosé: um monocasta Merlot, de cor muito aberta, expressão fresca de fruta vermelha com uma nota vegetal, que se sente mais em boca, relativamente simples mas correto e equilibrado, seco e com sentido mineral, fresco e com fruta fresca, moderado no volume, com alguma cremosidade e boa persistência. Nota: 16,5
Casal das Freiras 2022 tinto Castelão: Um Castelão de cor aberta, reflexo de uma extracção contida. Aroma de perfil telúrico, alguma fruta vermelha. Tinto ligeiro, pouco álcool, pouco tanino, bem seco e com boa frescura, barrica muito discreta, um perfil bem diferenciado da casta, um registo mais etéreo, fresco, com muita persistência. Nota: 18
Dona Florinda 2018 tinto Reserva Especial: Lote das castas Syrah, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot, Touriga Nacional e Alicante Bouschet, com 14 meses de estágio, solos de granito. Um tinto clássico, estruturado, com tanino firme e ligeiramente secante, boa frescura e persistência, com ligeira evolução mas bem vivo, equilibrado e com boa persistência. Nota: 17,5



