Osteria dell'Arco
uma breve introdução à gastronomia de Piedmont
Normalmente, onde há boa comida, há bom vinho, e a região italiana de Piedmont não é excepção.
Piedmont é uma região localizada no norte de Itália, junto aos Alpes, a fazer fronteira com França e a Suiça, uma zona famosa pelos seus vinhos. Há muito tempo que queria ir até esta região, conhecer melhor os seus vinhos e a sua gastronomia, e tive finalmente oportunidade de fazer uma primeira incursão pela região.
Os objectivos principais eram provar vinhos da região do Langhe, em particular os vinhos das denominações de Barolo e de Barbaresco, bem como por provar alguma da gastronomia local, em especial as famosas trufas de Alba.
A viagem foi curta, com apenas três dias na região, o que não deu para explorar tudo o que gostaria e com a tranquilidade desejada, mas deu para dedicar um dia a Alba, com a visita a um produtor de vinho, uma ida a um restaurante local e um breve passeio pela localidade e arredores.
O restaurante escolhido foi a Osteria dell’Arco, uma casa que já tem 40 anos de actividade, um espaço tido com um local onde a gastronomia é a típica, com base em ingredientes locais e com as receitas tradicionais.




Localizada no centro da localidade, é um espaço relativamente pequeno, onde o vinho está presente desde a entrada (duas barricas à porta) até à mesa, passando pela garrafeira exposta na sala principal. O menu é composto por várias opções, organizado com as tradicionais Antipasti (entradas), Primi piatti (Primeiro prato, à base de massa), Secondi piatti (segundo prato principal, não baseado em massa) e Dolci (sobremesas). A complementar, uma selecção de vinho a copo.
Para entrada, pedimos a La Tradizione: Insalata russa, carne cruda battuta al coltello, vitello tonnato, ou seja, uma entrada com três elementos, uma salada russa, um tártaro de vitela, e vitela com molho de atum. Três elementos frios: a salada russa a trazer alguns legumes e frescura, um tártaro simples, quase sem tempero, e uma fina fatia de carne de vitela com o molho de atum, uma combinação que vi em vários menus dos restaurantes da região. Seguiu-se o Baccalà agrumato, outra entrada fria, um bacalhau que mais parecia Paloco, com uma salada fresca e saborosa.
Para os primeiros pratos (Primi), pedimos um outro clássico da região, o Tajarin 40 tuorlí, ou seja, uma massa feita com 40 gemas de ovo acompanhado com um molho de salsicha. Simples, saboroso, reconfortante. Ainda nas massas, destaque para o Bottoni di Tapinambur, uns raviolis com topinambur, cremosos e macios por fora, com um recheio intenso e cheio de sabor por dentro.




Nos pratos principais (Secondi), as escolhas foram o Animelle di vitello, umas delicionas e macias molejas de vitela com couve-flor e um puré com topinambur, o meu prato preferido do almoço juntamente com os raviolis de topinambur. Para terminar os principais, um outro clássico, o Brasato di Vitello al Barolo, ou seja, vitela estufada em vinho tinto de Barolo acompanhado de legumes. Saboroso, prato de conforto.
Para sobremesa (Dolci), um Chantilly allo zabaione e um belíssimo Tiramisù in Langa a acompanhar um café (outra especialidade da região).




Um restaurante simples, de cozinha tradicional, que proporcionou uma refeição agradável e tranquila, na companhia de vinho a copo da região, com um espumante, um Barbaresco e um Barolo, a assessorar um conjunto de pratos tradicionais. Só fiquei com pena de não haver nenhum prato com a famosa trufa branca de Alba, teria sido a cereja no topo do bolo…


