O Ermita
Gastronomia e Vinho na Serra d'Ossa
Aqui a religião em vigor é o Hedonismo, ou seja, desfrutar da gastronomia e vinhos da região num ambiente pleno de simplicidade e de história.
A Serra d’Ossa é a cadeia montanhosa que separa Borba do Redondo, duas das mais famosas e tradicionais sub-regiões de vinho da região do Alentejo. No sopé da serra localiza-se o Convento de São Paulo, um local onde se respira ar puro e tranquilidade, e onde se localiza o restaurante O Ermita.
A sala de jantar do restaurante é uma antiga capela do convento, no caso, a Capela do Bispo, um espaço modesto mas muito funcional, chão de pedra, paredes brancas com lindos painéis de azulejos em toda a volta e com um tecto lindo apesar do seu estado estar a necessitar de recuperação.




A gastronomia tem por base a região e a serra, com muitas opções de caça, como a lebre, a perdiz ou o javali. Nas entradas encontramos várias opções, como ovos com espargos ou ovos com farinheira, moelinhas, pezinhos de coentrada, cabeça de xara, croquetes de novilho, queijo de ovelha gratinado, tábuas mistas de queijos ou presunto ibérico.
Nas sopas, para além da sopa do dia, temos Sopa de Tomate, Canja de Pombo Bravo ou a clássica Sopa de Cação.
Algumas opções de peixe, com Bacalhau Dourado, Lombo de Dourada, Polvo da Costa ou Bacalhau à Lagareiro, entre outros. Nas carnes, mais opções, com Porco preto, Javali, Empada de caça, Pato, Costeletas de Borrego ou Tornedó. Algumas opções de vegetariano disponíveis.
A carta termina com fruta e alguns clássicos da região, como Sericaia com Ameixa de Elvas, Encharcada ou Torta de Laranja, com algumas opções mais internacionais como o Cheesecake, o Bolo de Chocolate ou o Petit Gâteau de Caramelo Salgado.
A carta de vinhos é diversificada, com muitas opções da região, para todos os gostos, uma curadoria do escanção Fábio Nico que é responsável pela equipa que é simpática e atenciosa, com cuidado com os copos e temperaturas.
Recentemente tive oportunidade de visitar o espaço várias vezes e de provar um conjunto alargado de opções, das quais partilho algumas sugestões.




Nas entradas, recomendo a Cabeça de Xara, um clássico que não consigo evitar de pedir sempre que a vejo, aqui servida com pão torrado e tomate, que acrescenta textura e frescura ao conjunto.
Não provei o croquete de vitela, mas o Croquete de Javali estava óptimo, seco e estaladiço por fora, suculento e cheio de sabor por dentro.
Ainda nas entradas, uma palavra também para os Ovos com Farinheira, uma dose generosa com ovos no ponto, bem cremosos e com a farinheira muito bem integrada.
Já nas sopas, destaque para a Sopa de Cação, um clássico que estava num bom nível.




Nos pratos principais, muitos dos pratos que tive oportunidade de provar não estão regularmente na carta ou são adaptações. O Arroz de Perdiz, cremoso, acompanhado de couve e enchidos foi muito reconfortante e consensual. A Empada de Lebre estava muito bem, boa dimensão, recheio generoso e saboroso, seca e estaladiça por fora. O Javali da Serra d’Ossa e a Feijoada de Javali também estiveram a um bom nível.




Nas sobremesas, destaco a Sopa Dourada e a Torta de Laranja, ambas muito saborosas. Outro clássico das sobremesas é a Sericaia com ameixa de Elvas e um pouco fora foi a Panna Cotta com figo.
Todos os momentos foram bem assessorados por vinhos da região, sugeridos pela equipa da casa, mas dos quais não fiz registo para partilhar. Deixo a nota final que recomendo o espaço e que conto regressar.


