Esteva
o novo capítulo de Francisca Dias
Um restaurante que reflete o caminho de uma jovem chef que ganhou projeção nacional e agora se afirma no seu primeiro restaurante com assinatura própria.
O percurso de Francisca Dias tem-se construído de forma progressiva, passando por algumas cozinhas exigentes antes de assumir um projeto próprio. A sua formação profissional incluiu uma passagem pelo Feitoria, ao lado do chef João Rodrigues, seguindo-se a função de subchefe no Rossio Gastrobar, também em Lisboa.
A afirmação pública surge em 2021, quando vence a primeira edição portuguesa do Hell’s Kitchen Portugal, momento que lhe deu projeção nacional e abriu novas oportunidades, como a experiência no 100 Maneiras. Nesse mesmo ano, muda-se para o Alentejo para assumir a cozinha da Casa do Gadanha.
É deste percurso que nasce o Esteva, o seu primeiro projeto pessoal, a concretização de um sonho antigo desenvolvido em conjunto com a sua companheira, Tânia Semedo. Um restaurante que reflete a maturidade adquirida ao longo dos últimos anos e onde a chef afirma uma cozinha de produto, direta e equilibrada, deixando espaço para a sua interpretação dos sabores e do território.




Localizado na Herdade da Videira, entre Borba e Estremoz, uma casa no campo, rodeada de olival e em terra de vinho, um espaço acolhedor, para cerca de 30 pessoas.
A ementa é variada, com várias propostas para picar e para buxar, isto é, entradas e pratos principais, bem como algumas sobremesas, quase tudo com inspiração alentejana. Nas entradas, os clássicos queijos e presunto, orelha, carne de alguidar e croquetes, mas também codorniz, naco de cabeça de xara ou pastelão de beringela, entre outros. Nos principais, desde os mais tradicionais cação, bochechas e abanicos até à tarte de ensopado de borrego. Uma carta dinâmica e sempre com propostas a entrar e a sair.
Fecha às terças e quartas-feiras, aberto apenas para almoço à segunda, quinta e domingo, com almoço e jantar à sexta e sábado, recomenda-se sempre uma reserva antes da deslocação.
Partilho umas breves notas de uma visita recente.




Croquete de coelho e Croquete de cabidela
Bem cremosos, estaladiços por fora, com uma maionese de escabeche fresca, belíssimos.
Pastelão de beringela
Estilo tortilha, muito cremosa, saborosa. Diferente.
Espargos, crumble de farinheira e crumble de broa, flor de alho e cebolinho
Ovos cremosos, suculentos, cheios de cor e textura, uma delícia.
Naco de cabeça de xara
Um naco, literalmente, de comer à colher e de chorar por mais. Um toque de pimenta no tempero, o avinagrado na guarnição, maionese de coentro a dar fundo, um belíssimo conjunto, sem dúvida a repetir (muitas vezes)…


Tarte de ensopado de borrego
Belíssima massa dourada por fora, com um generoso recheio por dentro, cheio de carne, suculento, com a frescura da hortelã, simples, de conforto.
Leite creme de esteva
O final doce, um clássico leite creme, estaladiço por fora e cremoso por dentro, como manda a lei.
Em resumo:
Um restaurante com um serviço muito competente, ritmado, simpático e atencioso. Bons copos de vinho e uma carta de vinhos simpática e com muitas propostas acessíveis. Uma cozinha de qualidade, com preços acessíveis, diferenciada, com muito produto local. A regressar, sem qualquer dúvida!


