Espanha, um país de vinhos
e um dos principais do mundo
Espanha, tal como Portugal, é um país de vinhos, onde a sua cultura é amplamente disseminada pelo território e onde o vinho faz parte da sua cultura.
Estava a recordar um almoço de amigos cujo tema foi vinhos de Espanha, onde cada um levou a sua garrafa, sem qualquer acordo prévio, de forma aleatória, fazendo uma surpresa aos restantes convidados e tentando elaborar um alinhamento que faça sentido para o serviço e para a comida disponível.
Espanha é um tema recorrente, e não poderia deixar de ser, pois é um dos principais produtores de vinho do mundo e que fica aqui ao nosso lado. Comecemos pela vinha, onde o país lidera o ranking mundial de área de vinha, com 930 mil hectares (kha) de vinha dos cerca de 7.1 milhões de hectares de vinha plantados no mundo1. França vem em segundo lugar, com 783 kha e Itália em terceiro, com 728 kha. Portugal surge em 10º lugar, com 173 kha, à frente de países como Chile, Austrália, África do Sul ou Alemanha.
Em termos de produção de vinho, a produção estimada para 2024 é de 225,8 mhl (milhões de hectolitros), o que representa uma quebra de 4,8% face à produção de 2023 que já tinha sido historicamente baixa. Aqui, o ranking dos países produtores de vinho inverte-se no topo, sendo liderado por Itália (44,1 mhl), seguido por França (36,1 mhl) e por fim, por Espanha (31,0 mhl). Como é que Espanha é o país com mais vinha mas “apenas” o terceiro maior produtor mundial? Vários factores, como zonas quentes e secas ou muita predominância de vinhas velhas… Os três países, em conjunto, representam 49,2% da produção mundial, ou seja, quase metade do vinho produzido a nível mundial, com 19,5%, 16% e 13,7% respectivamente. Portugal é o 10º produtor mundial, com 6,9 mhl, o que representa 3,1% da produção mundial.
Resumindo, é um dos incontornáveis, um dos países que é uma referência no mundo do vinho, com várias regiões clássicas e emblemáticas, umas históricas como a Rioja ou Jerez, outras mais recentes como Bierzo ou Priorat, entre muitas outras clássicas como Rias Baixas, Ribera del Duero, Rueda ou Toro, entre muitas outras.
Voltando ao almoço, início com uma belíssima Manzanilla, o Ás de Mirabrás Sumatorio, da Barbadillo, um fortificado bem seco, salino, fino, excelente aperitivo que acompanhou também algumas das entradas de mar. Seguiu-se um branco e um rosé da Rioja, o Viña Gravonia 2015 e o Lopez de Haro Classica Gran Reserva 2012, dois vinhos de estágio prolongado, um que é um ícone da região, do produtor López de Heredia, e o outro uma raridade da região, um rosé de estágio muito prolongado. Belíssimos vinhos, frescura com evolução conjugados com elegância e complexidade. Depois os tintos, com o Vinã Bosconia 2008, mais um vinho do icónico produtor López de Heredia, e o Sei Solo, um tinto da Ribera del Duero. O Bosconia é elegância e frescura, o Sei Solo é intensidade. Por fim, uma curiosidade, o Matías i Torres Malvasia Aromatica Cepas Viejas Naturalmente Dulce, um Malvasia doce, de vinhas velhas, doçura com carácter vulcânico. Belíssimo almoço e momento de partilha.
State of the world vine and wine sector in 2024, OIV



